Edição 97
Caracas!

Os almanaques eram publicações anuais que traziam de tudo, das fases da lua até remédio para unha encravada. Isto aqui é uma releitura em pílulas. Nesta edição que vou te contar, viu: conquistando e rapando e seguindo a canção com Nicolás e Donald, EUA e Latinoamérica, além de uns tragos típicos para relaxar.
Assim como PQP, a interjeição caraca pode denotar surpresa, assombro, espanto, admiração, desgosto, irritação, ou uma combinação de várias destas emoções. Multifacetada, caraca também pode significar craca ou creca, aquela ferida em fase de cicatrização; a catarata ou meleca endurecida nas narinas; ou uma camada de sujeira endurecida na pele, como no gauchesco conto O Boi Preto, de João Simões Lopes Neto: “Cá pra mim o boi velho — uê! tinha caraca grossa nas aspas!”
Já o nome da capital da bolivariana Venezuela, Santiago de León de Caracas, padece de nula relação com melecas, crecas ou praguejos. Caracas, como os locais as chamavam antigamente, eram ervas muito comuns na região, o que hoje se conhece como quinoa (Chenopodium quinoa).
“E esta nação de índios Caracas tomou este nome porque em sua terra há muitos bredos que, na sua língua, chamam-se Caracas”, escreveu Juan Pimentel, o espanhol governador da província em 1578.
Se a riqueza era vegetal para os indígenas, os colonizadores se interessaram mesmo pelo reino mineral.
No início do século XX, a pavimentação das cidades era fonte de lucro certo nos EUA. E um grupo de empresários bem-relacionados controlava esse negócio com a catimba de uma organização criminosa. Capitaneado por John M. Mack, o National Asphalt Trust (NAT) garantiu contratos em milhares de cidades no país. Depois, partiu rumo à América Latina para controlar a matéria-prima: Cuba, México… Venezuela.
O Lago Bermúdez, no leste da Venezuela, fornecia alcatrão de boa qualidade em grande quantidade. Uma subsidiária da NAT logo se declarou dona do lugar. Não era a primeira nem seria a última a fazê-lo. Logo, todas essas gangues começaram a se bater pelo lugar, aproveitando-se de um labirinto de concessões e conchavos ao longo de décadas. Vários políticos, diplomatas dos EUA e até o único representante do jornalismo de língua inglesa na Venezuela ou estavam na folha de pagamento ou na sociedade da NAT, assim que não foi difícil para Mack conseguir que seu governo enviasse três navios de guerra às proximidades do Bermúdez. Em seguida, fomentou uma tentativa de revolução de dois anos que resultou em destruição em larga escala e 15 mil mortos mas não derrubou o presidente Cipriano Castro, um militar autoritário que chegou ao poder também invadindo a Venezuela — e tratado com o característico racismo pelo presidente dos EUA Theodore Roosevelt, que o chamou de “macaquinho vilanesco”.
A contenda desembocou no aumento da dívida externa e no envolvimento dos países credores europeus no que já ficou conhecida como a Guerra do Asfalto. Quando o chefe militar de Castro, Juan Vicente Gómez tomou o poder em 1908 para uma ditadura amiga, Mack e sua NAT conseguiram finalmente o que queriam.
A Petroleos de Venezuela S.A. (PDVSA) era uma estatal lucrativa fundada pelo presidente Carlos Andrés Perez em 1972.
Há mais de século, a Venezuela oscila entre líderes geralmente autoritários e mais ou menos amigos das companhias petrolíferas estrangeiras nos mineiros nacionais. Juan Vicente Gómez, o Benemérito, era a favor. Nicolás Maduro era contra. Gómez transformou o acordo em fortuna pessoal. Nicolás, generoso, enriqueceu aliados e militares — que, ao contrário dele. continuam onde estavam antes.
Separados na eminência parda e na calvície cristalina:
Lavrentiy Beria, aliado mais influente de Josef Stálin em relação de ódio mútuo, chefe da polícia secreta, guardião da sujeira alheia, arquiteto de limpeza étnica, e supervisor do programa nuclear soviético. Beria tornou-se primeiro vice-premiê e parecia herdeiro natural de Stálin depois de sua morte. Cogitava liberalizar a economia e dar autonomia às repúblicas-satélites para solucionar crise que o país atravessava. Quis dar um golpe, mas seu colega Nikita Khrushchov foi mais rápido na rasteira. Acabou preso, condenado por traição e executado…
…e Diosdado Cabello, Ministro do Interior, Justiça e Paz (e milícias) da Venezuela desde 2024, militar, homem forte dos regimes Chávez e Maduro desde o primeiro momento, parente generoso, apresentador do programa televisivo de purga política Cacetada (Con El Mazo Dando), procurado por tráfico de drogas nos EUA, e prova viva de que Deus expressa seu senso de humor por sobrenomes. Ao lado da presidente interina Delcy Rodríguez, com o generalato, com tudo, e garantindo a retomada de relações com os EUA, pode ter sido mais astuto que Beria na garantia de sua sobrevivência à mudança dos ventos.


Afinidades também abundam entre o antigo e o novo presidentes da Venezuela.
Até hoje, os poderes venezuelanos não divulgaram as atas das eleições de 2024 que provariam a reeleição presidencial de Nicolás. Assim que na prática, até sua captura por soldados norte-americanos em janeiro de 2026, ele era somente presidente de fato do seu país aos olhos de grande parte do mundo mas não de direito. Da mesma forma, o presidente dos EUA e investidor em empresas cinematográficas Donald J. Trump é o atual chefe do executivo em Caracas, ao dar as ordens à interina Delcy Rodríguez e postar na rede Truth Social uma página falsa da Wikipédia que se referia a ele como “Presidente Interino da Venezuela”.
Nicolás comandou uma rede de clientelismo e favorecimento pessoal baseada nos lucro da PDVSA. Já Donald colocou a maior parte do lucro da primeira venda de barris de petróleo venezuelanos pelos EUA numa conta offshore no Qatar, sem muitas explicações e nenhuma transparência.
Desde 2014, um ano após a chegada de Nicolás ao poder, quase 8 milhões de venezuelanos abandonaram o país num dos maiores fluxos migratórios contemporâneos. (A população da Venezuela projetada para 2025 foi de 34 milhões.) A maioria se refugiou na Colômbia (2,9 milhões de pessoas). O Peru foi o segundo maior destino migratório, e os EUA o terceiro. Apesar da enormidade de sua fronteira com o país, o Brasil recebeu até 2025 apenas 732 mil refugiados.
Milhões de refugiados venezuelanos têm muitas razões para celebrar o sequestro de Nicolás. Fugidos de seu país com o aumento da violência e do terror, ou procurando por melhoria financeira, muitos se viram em situação precária no exílio, ainda por cima malvistos pelos habitantes locais — o novo presidente do Chile, José Antonio Kast, fez campanha prometendo um fosso e um muro na fronteira para evitar a entrada de “imigrantes ilegais”. Apesar disso tudo, a felicidade dos expatriados é bonita no papel mas uma bagaceira feia feito a fome na prática.
Os EUA não têm jurisdição sobre a Venezuela. Os EUA não têm jurisdição fora do território dos EUA. A Venezuela não é território dos EUA. Pelo sistema de leis e costumes internacional, um país só pode atacar outro em autodefesa, após sofrer ato de agressão. A invasão de um país por outro necessita de consenso da comunidade internacional para que o equilíbrio de forças não seja quebrado. Se um país invade sozinho outro país sob qualquer justificativa, sinaliza aos outros que pode fazer o mesmo. Se os EUA invadem e ocupam a Venezuela sob a justificativa de que o país está sendo governado por um traficante de drogas, a Rússia também pode invadir a Ucrânia sob a justificativa de que o país está sendo governado por nazistas, e a China pode invadir Taiwan sob a justificativa de que precisa unir o povo chinês mesmo que os taiwaneses não queiram. É o retorno ao Planeta da Mãe Joana de séculos anteriores.
“Maduro é o cabeça do Cartel de los Soles, uma organização narcoterroristas que tomou posse do país”, escreveu o secretário de estado dos EUA Marco Rubio na rede social X. Esta foi a justificativa para a captura de Nicolás. Os EUA não mostraram nenhuma prova que corroborasse essa justificativa. O governo norte-americano não forneceu nenhuma explicação para ter feito o que fez como fez porque fez quando fez. Ao denunciar Nicolás à corte de Nova York, o governo deixou de lado a acusação de Rubio porque o Cartel de los Soles não é uma organização mas sim uma gíria venezuelana para designar a relação entre corrupção militar e tráfico de drogas.
“É um país governado por homens senis e incompetentes”, disse Rubio sobre o potencial alvo seguinte dos EUA, Cuba, pouco antes de esta imagem ser registrada.
…e a Venezuela é administrada por militares. Em levantamento entre 2020 e 2021, o instituto Transparencia Venezuela encontrou membros das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) em conselhos e posições de comando de 103 empresas públicas, sendo que 24 dessas empresas estão sob a tutela do Ministério da Defesa. Além disso, 11 dos 34 ministros do governo usam farda. Nesse mesmo período, cresceu o número de militares nesses órgãos e empresas e diminuiu a transparência. Militares de pijama dominam as eleições locais. Em 2020, um terço dos generais do exército, tinham ligações com empresas que faziam negócios com o Estado venezuelano. Destes, 35 eram membros de conselhos ou sócios em 41 empresas privadas com contratos estatais. São muchas boquitas para alimentar.
Durante o governo Jair no Brasil (2019-2022), mais militares apearam as malas na administração federal do que em todos os governos civis que o antecederam. Em 2021, detinham 742 cargos comissionados no Executivo federal contra 381 em 2018. As pastas civis que ganharam mais coturnos foram o Ministério da Economia (aumento de 8000%), da Educação (650%), e o da Saúde (471%). Na mesma administração, os servidores militares tiveram mais que o dobro de aumento salarial do que seus colegas civis. No primeiro semestre de 2020, havia 21 militares da ativa e da reserva nos conselhos de 12 estatais, com alguns deles acumulando cargos e ganhos feito Elons Musks de farda. Eram muitas boquinhas para alimentar.
Assim como no Irã, a presença maciça de militares e paramilitares no poder tornam o processo de mudança de regime num negócio complicado de tão delicado.

Pausa para um refresco. Com a tez do caldo de cana e o frescor de um suco de abacaxi com hortelã, o papelón con limón ou guarapo de papelón é a solução dos vendedores ambulantes venezuelanos para estes tempos de temperatura elevada. O papelón em questão nada tem a ver com ditadores e conquistadores. É tão somente o nome local para a nossa querida rapadura. Dissolvida e servida em água estupidamente gelada com suco de limão, a bebida é infalível no esfriamento de ânimos. Vai uma jarra?
Três semanas antes de capturar um líder latino-americano sob a alegação de tráfico de drogas, o presidente dos EUA usou a sua prerrogativa de perdão para tirar da cadeia um líder latino-americano condenado por tráfico de drogas com base em investigações iniciadas no primeiro governo Trump: o ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández.
Em 2018, Argentina, Chile, Canadá, Paraguai, Peru e Colômbia denunciaram o governo de Nicolás ao Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade (torturas, assassinatos, violações de direitos humanos em série). Sem ver progresso na justiça local, aparelhada pelo governo, o TPI comunicou oficialmente o fim da cooperação com a Venezuela em dezembro de 2025, o que pode significar a existência de um mandado de prisão da corte, odiada pelo governo dos EUA, contra Nicolás.
Esta é a terceira tentativa de golpe na Venezuela com participação dos EUA em 25 anos. A primeira, nos embalos do Iraque à noite em 2002 contra Hugo Chávez, contou com veteranos da Era Reagan na administração de George W. Bush e durou 48 horas. A segunda se deu durante o primeiro governo Donald, em 2019 contra Nicolás, sem êxito.
Lista de países exportadores de petróleo membros da OPEC atacados pelos EUA sem respaldo internacional entre 2025 e janeiro de 2026, e as justificativas para tanto
Irã: os EUA jogaram bombas em três complexos nucleares para destruir o enriquecimento de urânio para fins bélicos, declararam a missão um sucesso sem maiores informações, e não se faliu mais nisso.
Nigéria: lançaram mísseis contra áreas remotas no estado de Sokoto, noroeste do país, para “proteger cristãos” de ataques do Estado Islâmico, embora tanto os cristãos quanto a maioria de ataques do Estado islâmico ocorra no nordeste do país.
Venezuela: capturar o presidente talvez-provavelmente-não-eleito Nicolás Maduro por tráfico de drogas, liderar organização terrorista, e corrupção.

No dia seguinte ao Onze de Setembro de 2001, o presidente dos EUA e alvo de sapatos iranianos George W. Bush estava com fome de guerra, não só contra o Afeganistão, de onde haviam saído os territórios da al-Qaeda mas também contra o Iraque porque sim. Travou o seguinte diálogo com Richard Clarke, assessor para contraterrorismo do Conselho Nacional de Segurança:
W: “Veja se Saddam [Hussein, ditador iraquiano] fez isso. Veja se ele está ligado de algum jeito.”
Clarke: “Mas, senhor Presidente, a al-Qaeda fez isso.”
W: “Eu sei, eu sei, mas veja se Saddam está envolvido. Apenas procure. Eu quero saber de qualquer indício.”
Nenhum foi encontrado. Em fevereiro, W. Bush anunciou a Condoleezza Rice, sua assessora de segurança nacional: “Foda-se, Saddam. Vamos tirá-lo de lá.”
Tiraram. E se afundaram no Iraque com o Iraque junto por duas décadas.
Paul Wolfowitz, vice-secretário de defesa do governo W. Bush, em audiência de março de 2003 no Congresso dos EUA sobre a invasão e reconstrução do Iraque: “O lucro do petróleo daquele país pode gerar $50 a $100 bilhões ao longo dos próximos dois ou três anos…Existe bastante dinheiro para pagar por isso que não é do contribuinte americano; começa com os ativos do povo iraquiano.”
Donald J. Trump, em coletiva de imprensa de janeiro de 2026 sobre as operações e a intervenção continuada na Venezuela: “Não vai nos custar nada porque o dinheiro saindo do chão é bastante substancial… E nós não vamos gastar dinheiro. As companhias petrolíferas vão entrar e gastar o dinheiro.”
Investidor norte-americano do setor energético sobre explorar petróleo com Donald na Venezuela em 2026: “Ninguém quer entrar lá sabendo que a porra de um tuíte aleatório pode mudar toda a política externa do país.”
As operações militares dos EUA no Iraque custaram $800 bilhões ao contribuinte norte-americano. E aproximadamente 200 mil vidas à população civil iraquiana.
Rosa Helena González tinha 80 anos. Morou metade deste quase-século num complexo habitacional litorâneo batizado em homenagem ao escritor mais famoso do país, Rómulo Gallegos. Quando começaram a ouvir explosões na Infantaria da Marinha do outro lado da montanha, os moradores se apressaram a abandonar o Rómulo Gallegos; Doña Rosa não conseguiu. Um dos mísseis norte-americanos atingiu o local. Ao darem pela falta da vizinha, os outros moradores voltaram para resgatá-la. Estava viva ainda, mas morreu no hospital de infarto do miocárdio.
Nadie segura la mano de nadie! Assim como soltou a mão do líder oposicionista Juan Guaidó em 2019, Donald diz em 2026 que a líder oposicionista e sua fã Maria Corina Machado é “uma boa mulher” mas não tem respaldo ou “respeito” entre os venezuelanos para comandar a transição política no país.
Machado é a líder de fato da oposição democrática à ditadura de fato de Nicolás, razão que levou o Comitê Norueguês a conceder-lhe o Prêmio Nobel da Paz de 2025. Foi só vencer o prestigioso prêmio para botar o sectarismo de fora. Recusou-se a trabalhar com membros dos governos venezuelano e norte-americano ou sequer a fornecer planos para uma transição democrática após a prisão de Nicolás.
Para a ex-deputada, pimienta en los ojos ajenos es refrescante. Opositora dos governos Chávez e Maduro, Machado foi acusada de traição, perseguida, cassada e caçada especialmente durante a gestão de Nicolás. Durante os protestos de 2014, atirou: “Como se chama um regime que persegue, que reprime, que tortura os estudantes, e censura a imprensa?” Uma década mais tarde, expressaria seu apoio a outro regime que fazia exatamente isso, o de Benjamin Netanyahu em Israel. Celebrada e defendida pela Human Rights Watch, a organização não-governamental que monitora abusos a direitos humanos no mundo, Machado comemorou os bombardeios dos EUA a barcos na costa da Venezuela e no Caribe — sob alegação sem provas de que traficavam drogas para os EUA — considerados ilegais pelo direito internacional e denunciados pela Human Rights Watch.
Machado acrescentou ao seu impressionate currículo (professora, empresária, política, ativista, influenciadora) nova qualificação em janeiro de 2026. Ao presentear o presidente dos EUA com a medalha pessoal e intransferível do Nobel da Paz, tornou-se a primeira cambista de Prêmio Nobel da História.
Ficou com vontade de um líquido mais potente? Talvez seja o caso de uma dose de Angostura, a bebida amarga criada na cidade venezuelana de mesmo nome — atual Ciudad Bolívar — como tônico estomacal por um médico prussiano, Johann Siegert. Vai bem no mojito ou no pisco sour, e pode dar um toque sofisticado a sopas e coquetéis carentes de uma nota mais dura.
Se há um gênero literário tipicamente latino-americano, esse seria o romance de ditador: Facundo, O Outono do Patriarca, A Morte de Artemio Cruz, O Recurso do Método, A Festa do Bode, O Senhor Presidente… Reais, amálgamas ou 100% imaginários, esses líderes de papel conectam as experiências políticas dos países no continente. Embora o Brasil jamais tenha esquecido os seus ditadores, não embarcou na tradição de exorcizá-los literariamente. Dito isso, há um brasileiro ilustre nesse campo eminentemente espanhol: O Senhor Embaixador, de Érico Verissimo, que se passa num daqueles famosos países fictícios do Caribe.
Os mansos herdarão a terra, mas não os direitos sobre os minérios.
O magnata do petróleo norte-americano John Paul Getty, em versão atribuída a ele de trocadilho que já circulava por aí.
De certa forma, as derrubadas de estátuas são as cascas de banana da história em que costumamos escorregar.
O jornalista Peter Maass, relembrando a derrubada da estátua de Saddam Hussein na Praça Firdos em Bagdá em 2003, que deveria anunciar o fim de uma invasão mas era só o começo.
O espetáculo é o propósito.
O professor de governança da Georgetown University no Catar Paul Musgrave, explicando o motivo último das ações caóticas de um presidente que se guia exclusivamente pela popularidade das imagens numa televisão ou celular.
Perdemos de vista que, na Venezuela, a prioridade é a vida, que há pessoas sofrendo e que há coisas que são simples para muitos, mas difíceis de se obter, como ter luz, água ou falar por telefone na rua. Esquecemos que estamos falando de pessoas.
Laura, nome fictício, venezuelana de Caracas, explicando à BBC sua oposição a Donald e Nicolás.
Pense você o pior que possa pensar de alguém e acrescente ainda uma pitadinha mais, sem medo de carregar a mão.
Rómulo Gallegos, descrevendo o Encantador, vilão dos pântanos do Apure e cúmplice de Doña Barbara (1929), personagem-título de romance fundamental na literatura latino-americana e alegoria para a Venezuela, abençoada e amaldiçoada pelo petróleo. Coube a Jorge Amado a primeira tradução no Brasil; esta aqui é de André Aires.


